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Da rua para a sala de aula: homens acolhidos pela FAS voltam a estudar

Publicado em 09/02/2024
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Imagem: Comunicação FAS imagem conteudo

homens acolhidos pela FAS voltam a estudar em Curitiba

A sala de aula é o novo espaço frequentado por 14 homens que viviam em situação de rua e atualmente são acolhidos pela Fundação de Ação Social (FAS). Desde segunda-feira (5/2), eles participam das aulas de Educação de Jovens e Adultos (EJA) do Colégio Estadual Poty Lazzarotto, no Centro, onde têm acesso à educação e poderão concluir os estudos dos ensinos básico, fundamental ou médio, ampliando as oportunidades no mercado de trabalho.

O grupo, formado por homens de 22 a 50 anos, é acolhido na Casa de Passagem Dr. Faivre, unidade que integra o Centro Intersetorial de Atenção a Pessoas em Situação de Rua, que começou a funcionar no último dia 19, no Centro, com oferta de vários serviços para este público.

No local, também chamado de FAS-SOS - em referência a um dos serviços implantados pelo prefeito Rafael Greca, durante sua primeira gestão à frente da administração de Curitiba, na década de 1990, além da casa de passagem, onde encontram local para dormir, se alimentar e fazer a higiene, as pessoas recebem atendimento técnico no Centro de Referência Especializado para a População em Situação de Rua (Centro Pop) e também de saúde preventiva. Gradativamente, o espaço ofertará ainda serviços das áreas do trabalho e emprego, educação e da política sobre drogas.

Projeto Trilhas

O incentivo para volta à sala de aula faz parte do projeto Trilhas, coordenado pela educadora social Samara Pereira Dezan e que busca transformar a vida dos participantes fazendo com que tenham novos projetos de vida e alcancem a autonomia.

O projeto tem o objetivo de escutar, investigar e direcionar o acolhido para seus objetivos. “O Trilhas é um norte para que o acolhido, no momento de vulnerabilidade social, saiba por onde começar e para onde ir para que consiga sair da situação de rua”, explica Samara.

Além da educação, o projeto em ações em outras áreas, como turismo, emprego e saúde.

“Incentivamos os participantes a irem a outros pontos da cidade como forma de apropriação, imersão, inclusão e volta à convivência na sociedade”, diz a educadora.

Com o apoio técnico, o grupo, que hoje conta com 33 participantes, recebe orientação sobre a preparação de currículo, como se comportar em uma entrevista de emprego, o cuidado com a aparência e as formas de comunicação com o entrevistador.

Inserção na sociedade

Joshua Johann Ribas, 42 anos, faz parte do grupo que voltou a estudar. Brasileiro, mas criado na Costa Rica, América Central, ele está de volta ao Brasil, pela segunda vez, há pouco mais de quatro anos, onde já trabalhou como professor de artes marciais e em uma grande empresa de transporte de correspondências. 

“Meu objetivo é aprender a falar e escrever bem o português, além de conhecer melhor as minhas raízes e cultura”, explica o homem que, além do espanhol, fala inglês, português e francês. Poliglota, Joshua tem ajudado na comunicação da equipe da Casa de Passagem com estrangeiros que buscam acolhimento.  

Joshua foi morar com a família na Costa Rica quando tinha pouco mais de 1 ano de idade. Ele conta que naquele país começou a faculdade de Medicina Veterinária, a pedido do pai, mas desistiu por não gostar da área. Em função de problemas, precisou deixar o país – onde também ficou em situação de rua - e tentar a vida no Brasil.

Dependente de álcool e outras substâncias, ele conta que ao longo da vida adulta ficou em situação de rua por três vezes, foi acompanhado por médicos e chegou a ter uma vida tranquila por quatro anos, mas problemas de relacionamento, solidão, família e falta de dinheiro fizeram com que tivesse uma recaída. “Não quero mais essa situação, quero voltar a me inserir na sociedade e sei que não estou distante desse meu objetivo”, diz.

Odenilson Ferreira, 46 anos, também faz parte da nova turma da EJA. Ele conta que voltou a estudar estimulado pela equipe da FAS para que tenha mais oportunidades de voltar ao mercado de trabalho. “Eu já trabalhei como segurança, marceneiro, garçom, jardineiro e jogador de futebol. Sei como me portar diante das pessoas e de cada situação”, diz.

Odenilson foi um dos primeiros acolhidos da Casa de Passagem Dr Faivre e conta que vê a unidade e a equipe da FAS como apoio para começar uma nova vida. “Estou tentando buscar força para sair dessa situação”, explica. 

Animado com a nova fase da vida, o grupo atendido pelo projeto Trilhas recebeu mochilas, cadernos e canetas para as aulas. Com dificuldade de acessar os históricos escolares, todos precisaram fazer provas de equivalência para se matricular.

Rede de proteção

Para Samara, o projeto Trilhas é mais uma das possibilidades para os acolhidos nas casas de passagem do município, que por falta de oportunidades, interesses ou outros motivos, acabam fazendo destas unidades um local de moradia.

Em Curitiba, a Prefeitura oferece uma Rede de Proteção Social que desenvolve várias ações de forma integrada para beneficiar a população em situação de rua na cidade. O trabalho é intenso e vai desde o Mesa Solidária até a oferta de pernoite em unidades de acolhimento ou hotéis sociais, oferta de cursos profissionalizantes e encaminhamento para o mercado de trabalho.

Mais de 1,2 milhão de refeições já foram distribuídas gratuitamente pelo Mesa Solidária a quem está em situação de risco social e mais de 1,2 mil pessoas são atendidas diariamente nas casas de passagem, unidades de acolhimento, hotéis sociais e república mantidos pelo município para garantir dignidade a quem está em desabrigo.

Mesa Solidária

Lançado no fim de 2019 pela Prefeitura, o Programa Mesa Solidária atende a população em situação de vulnerabilidade e risco social, como pessoas em situação de rua, desempregados e idosos carentes, em espaços confortáveis e com total higiene. Hoje, são três pontos: Restaurantes Populares do Capanema (Jardim Botânico) e Rui Barbosa (Centro) e Mesa Solidária Luz dos Pinhais, atrás da Catedral (Centro).

Acolhimento

Simultaneamente aos programas de segurança alimentar do município, a Prefeitura mantém equipes nas ruas, que trabalham 24h por dia, para fazer abordagem social, ofertar serviços e encaminhar aqueles que aceitam atendimento para a rede de proteção.

Curitiba também reforçou o serviço de acolhimento, coordenado pela FAS. Curitiba conta hoje com cinco hotéis sociais, uma república e mais 26 unidades de acolhimento (oficiais e parceiros), além de três Centros POPs, que ofertam atendimento técnico durante o dia. Juntas, as unidades de acolhimento somam hoje 1.109 vagas que contam com dormitórios, banheiros, sala de TV e refeitório.

Para acessar os acolhimentos do município, a pessoa pode procurar espontaneamente as casas de passagem ou ser encaminhada pelas equipes técnicas da assistência social, entre elas a do serviço de abordagem social.

As pessoas em situação de rua também são atendidas nos dez Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas), localizados em todas as regionais da cidade, onde encontram apoio e encaminhamento para a rede de proteção.

Consultório na Rua

Na capital, as pessoas em situação de rua contam ainda com o Consultório na Rua, da Secretaria Municipal de Saúde, que percorre os bairros da cidade levando atendimento de saúde. Em dez anos de atividade, completados no em junho de 2023, o projeto realizou mais de 36,5 mil atendimentos e milhares de ações de acolhimento a pessoas que vivem nas ruas da capital. Por mês, o Consultório na Rua atende aproximadamente 500 pessoas.

O serviço é desenvolvido por quatro equipes, com uma composição multidisciplinar que pode variar de acordo com a complexidade do trabalho a ser desenvolvido. As equipes são compostas por enfermeira, auxiliar de enfermagem, dentista, auxiliar de saúde bucal, médico, psicólogo ou terapeuta ocupacional e assistente social.

Qualificação profissional

O desenvolvimento pessoal e a qualificação profissional das pessoas em situação de rua também integram a estratégia do município para fazer com que esse público possa ter novos projetos de vida e deixar as ruas.

Mensalmente, a FAS oferece cursos gratuitos do programa Liceu de Ofícios e Inovação, inclusive com turmas exclusivas para a população em situação de rua. Muitos cursos são realizados dentro das unidades de acolhimento para facilitar o acesso. Além disso, são realizadas ações encaminhamentos para o mercado de trabalho.

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